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Aprender num cenário de emergência humanitária

O número de refugiados atingiu níveis recorde e a assistência humanitária é cada vez mais premente. Há duas iniciativas pedagógicas que estão a

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Aprender num cenário de emergência humanitária

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O número de refugiados atingiu níveis recorde e a assistência humanitária é cada vez mais premente. Há duas iniciativas pedagógicas que estão a reforçar a ajuda em casos de emergência.

Jordânia: Lançar as bases educativas para reconstruir um país

É um dos exemplos mais recorrentes quando se fala na crise dos refugiados. O campo de Zaatari, junto à fronteira com a Síria, acolhe cerca de 80 mil deslocados daquele país. A organização interna é crucial.

Haneen Abu Halawh recebeu formação para motivar pais e filhos a envolverem-se nas iniciativas pedagógicas do campo e arranjar apoios. “Agora sei como é que se estabelecem parcerias, consegui a ajuda do imã da mesquita, voluntários e professores sírios que trabalham connosco nas escolas. Com o apoio de algumas pessoas-chave, conseguimos chegar a um público mais alargado”, conta-nos.

Para tudo isto foi essencial a formação que recebeu em Amã, a capital jordana, providenciada pela INEE, uma rede internacional para a educação em situações de emergência, que colabora com mais de uma centena de organizações provenientes de 170 países. Um dos princípios é dar aos participantes estratégias para fornecer um ensino de qualidade em contextos gerados por conflitos.

“Mostramos-lhes quais são os requisitos mínimos em termos pedagógicos, para que possam desenvolver atividades-chave depois desta formação e cumprir os padrões educativos em contextos de emergência”, explica-nos o coordenador Ahmad Rababah.

O direito à educação é o pilar desta rede que pretende justamente fornecer bases sólidas aos potenciais intervenientes nos processos de reconstrução dos países após os conflitos. Mas a formação também ensina a adaptar as práticas globais aos contextos locais.

França: Aprender a trabalhar numa missão humanitária

Muitas pessoas manifestam vontade de trabalhar no setor humanitário. Mas, na maioria das vezes, as formações assentam sobretudo na teoria. Não é o caso da Bioforce, onde os estudantes podem experimentar uma missão em África… mas no coração de França.

É no Instituto Bioforce que Espérance aprende os meandros de uma missão humanitária. Nos dias seguintes simulava-se o trabalho num campo de refugiados. “Vamos ser uma ONG local que se chama ‘Alimentos para Todos’. Vamos partir para o Quénia”, diz-nos.

Situada em Lyon, esta escola oferece cursos intensivos ou de longo prazo. Dependendo do tipo de atividade pretendida, a formação pode durar três dias ou três anos. Anualmente chegam cerca de 250 estudantes de várias partes do mundo, sobretudo dos países francófonos. A escolha assenta em determinados critérios, como a resiliência física e psicológica e o comportamento em grupo.

A equipa ultimou os preparativos para simular um campo e um centro médico nos arredores de Lyon. Cada um dos estudantes assumiu uma tarefa diferente. A quase seis mil quilómetros do Quénia encenou-se um controlo aduaneiro de equipamento humanitário. Como salienta o professor Hubert Debombourg, “a equipa pedagógica também assume missões diferentes. Há professores que podem ser polícias, ou trabalhar no serviço aduaneiro ou pertencer às autoridades locais.”